Integrantes

XANDO

Alexandre Sérgio Martins Lopes - "XANDO"

Nascido a 20-02-1964
Natural de Quelimane - Moçambique

Desde muito cedo tomou contacto com os ritmos quentes de Moçambique, não só pela proximidade com a cultura do país, mas também pelo facto de ser neto de uma avó materna de sangue africano. Desde muito novo frequentou locais onde além do folclore tradicional, se realizavam batucadas e "marimbadas", que sempre o fascinaram pela sua sonoridade.

Os contactos com os ritmos brasileiros também ocorreram muito cedo, dado que a sua mãe era apreciadora do género, tendo ela própria o dom do canto, o que a levou, num festival denominado "Moçambique a Cantar", a ser premiada ao interpretar as canções "Tico Tico do Fubá" e "Grão de Arroz". No final da década de 60, aconteciam na cidade de Quelimane, grandes bailes de Carnaval e de Final de Ano, onde ia com os seus pais. Esses bailes eram animados por conjuntos que interpretavam grandes sucessos do Brasil e que tocavam alguns instrumentos característicos do samba. O que mais lhe chamou a atenção foi precisamente um bastante curioso, que emitia uns sons agudos e que mais tarde soube chamar-se "cuíca", não tendo descansado enquanto não desvendou todos os segredos sobre a concepção desse peculiar instrumento, assim como a forma de o manusear.

A partir dessa altura e também devido ao contacto bastante chegado com uma família vizinha (família Cabral), tomou conhecimento com o trabalho de Martinho da Vila, que foi a sua primeira referência no samba. Desde o início da década de 70 começou a aprender alguns instrumentos de samba, além da viola, sendo de referir que de todos os instrumentos que hoje toca, nenhum lhe foi ensinado, sendo autodidata em todos eles.

Em 1977 e após ter atravessado todo o processo da revolução e independência de Moçambique, viajou com os seus pais para Portugal, mais precisamente para a cidade de Coimbra, onde vive até hoje. Nessa altura teve contacto com vários estudantes brasileiros da Universidade de Coimbra, os quais já a partir de 1973 haviam dado início à formação daquele que é o grupo de samba mais antigo de Portugal, o Grupo Samba LêLê. O contacto com esses estudantes aconteceu, dado que o seu irmão mais velho, Miguel Ângelo Martins Lopes, nessa altura a residir em Portugal há mais tempo, fazia já parte do grupo, tocando congas.

Logo na primeira ocasião, mostrou aos responsáveis do grupo, aquilo que já sabia de samba, sendo admitido de imediato e passou a integrar a formação inicial do Grupo Samba LêLê. A partir desse momento, começou a aperfeiçoar o seu desempenho em todos os instrumentos que integram a percussão brasileira, assim como o próprio cavaquinho.

Por volta de 1979, tomou contacto com o Carnaval da Mealhada, a pedido de um amigo chamado João Fernando Oliveira, que lhe solicitou, bem como a outros membros, para ensinar a forma de tocar samba a alguns elementos de um grupo entretanto por ele e outras pessoas formado naquela localidade, que tomaria o nome da Escola de Samba Sócios da Mangueira.

Com o passar dos anos e depois do Grupo Samba LêLê se ter apresentado em grandes palcos de Portugal, destacando-se o Casino da Póvoa de Varzim e o Pavilhão do Dramático de Cascais, por volta de 1983, o mesmo desfez-se, dado que a maioria dos seus elementos, após a conclusão dos respectivos cursos na Universidade de Coimbra, regressaram ao Brasil.

Foi a partir deste momento e dado que, já dominando a viola e também o cavaquinho, assim como toda a percussão de samba e também o canto, juntamente com outros 3 colegas brasileiros que ainda permaneciam em Portugal, resolveu formar um outro grupo de menores dimensões (o Grupo Samba LêLê na formação inicial apresentava-se com cerca de 17 pessoas em palco), com o nome "Os Acarajés", mais vocacionado para pub´s e cafés concerto e também discotecas. Não demorou muito tempo para que esse grupo tivesse sucesso e também que por sua vontade se mudasse novamente o nome para Grupo Samba LêLê, com a inclusão de mais alguns elementos brasileiros que entretanto haviam chegado a Portugal, continuando assim a apresentarem-se por todo o país.

Em 1985 cumpriu o serviço militar obrigatório e ali travou conhecimento com um outro militar de nome Toni, que lhe pediu para visitar a cidade de Ovar, a fim de conhecer uma escola de samba local chamada Costa de Prata. Nesse primeiro contacto foi desde logo convidado a ensaiar essa escola de samba, o que aconteceu por cerca de ano e meio. Durante este tempo, além do ensinamento da percussão brasileira, apercebendo-se que no Carnaval de Ovar as escolas de samba apenas batucavam nos respectivos desfiles, promoveu o canto de sambas de enredo dentro da escola e também nos desfiles de Carnaval.

Por outro lado desde logo começou a criar em Ovar, o movimento das chamadas rodas de samba e de pagodes(reuniões de várias pessoas que se juntavam para tocar, cantar e ouvir samba).

Após ter ensaiado a Escola de Samba Costa de Prata de Ovar, foi contactado em Coimbra durante um sarau cultural, pelo então presidente da Escola de Samba Charanguinha de Ovar, João Fernando Costa, que o convidou juntamente com o então embaixador do Brasil em Portugal, a integrar aquela escola de samba. Assim e desde 1989, passou a comandar nesta escola de samba, tudo o que se relacionava com a bateria, canto, harmonia e composição, acumulando ao mesmo tempo os cargos de director de bateria, puxador e cavaquinhista. Após esta fase e juntamente com os restantes elementos, conseguiu elevar a escola de samba Charanguinha, ao estatuto de uma das melhores do país e a que mais títulos conquistou ao longo dos anos no Carnaval de Ovar, sendo ainda a única escola de samba em Portugal, que lançou vários trabalhos discográficos em vinil e também dois cd's.

Entretanto continuou com o Grupo Samba LêLê, na sua segunda formação (esta já fundada por si e por Baiano, Pepeu e Godofredo) e continuou o contacto com novas escolas de samba que foram surgindo, nomeadamente a Vai Quem Quer de Estarreja, que ensaiou por duas vezes, assim como a GRES Batuque da Mealhada, que também ensaiou.

Ensaiou também várias vezes a já mencionada escola "Sócios da Mangueira" da Mealhada, tendo ali criado igualmente um movimento de "pagodes", o que mais tarde gerou a aparição ali de vários grupos de samba, fenómeno esse que também se veio a verificar em Ovar e Estarreja.

Ao longo dos anos, foi mantendo contactos com as mais altas esferas do samba Carioca, tendo em 1993, viajado para o Rio de Janeiro na companhia do seu amigo Ricardo Mira da Escola de Samba de Abrigada, que conheceu durante os vários festivais de samba organizados não só pela Charanguinha, como pela própria Abrigada. No Rio de Janeiro deu a conhecer o seu trabalho no samba, a grandes nomes como Martinho da Vila, Grupo Fundo de Quintal (de quem era já fã incondicional), Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Luís Carlos da Vila, Arlindo Cruz, Sombrinha, Darcy da Mangueira e vários outros, sendo ainda de referir que alguns destes contactos foram proporcionados por aquele que até hoje considera como um dos melhores cavaquinhistas do Brasil, o seu grande amigo, Maestro Wanderson Martins, sendo este também uma das suas maiores referências no samba.

Em Portugal fez duas breves participações em shows da cantora Alcione, que carinhosamente o apelidou de "seu pandeirista". Depois do reconhecimento por parte de vários dos nomes antes referidos, foi entrevistado pelo canal GNT da Globo, para um programa denominado "O Samba". Esse reconhecimento ficou ainda mais forte no ano de 2005, quando em 29 de Janeiro, na cidade de Ovar, ele próprio e também o Grupo Samba LêLê, foram oficialmente apadrinhados pelo Grupo Fundo de Quintal, tendo igualmente participado no respectivo show.

Seguiram-se contactos e uma pequena participação num show que Dudu Nobre realizou no Armazém F em Lisboa. Mantém contactos com várias escolas de samba do Rio de Janeiro, tendo tocado juntamente com a bateria da Unidos da Tijuca, Portela, Império Serrano, União da Ilha, Salgueiro, Caprichosos de Pilares e Beija-Flor. Foi convidado para desfilar em várias dessas escolas, tendo o último convite sido formulado pelo próprio Arlindo Cruz, para o Império Serrano a fim de desfilar na Ala de Banjos por ele ali criada. A sua escola de coração é a Beija-Flor de Nilópolis.

No decorrer do ano de 2007 foi também oficialmente apadrinhado juntamente com o Grupo Samba LêLê, pela madrinha do samba, a grande sambista Beth Carvalho, tendo igualmente participado com o grupo nos dois shows que a mesma realizou em Portugal. Igualmente nesse ano e durante a tourné portuguesa de Neguinho da Beija-Flor, foi por este convidado para participar no seu show tocando repique.

No ano de 2011, após 23 anos ao comando da bateria, cavaquinho, composição e interpretação de sambas de enredo e harmonia da Escola de Samba Charanguinha de Ovar, passou a exercer as mesmas funções junto da Escola de Samba Associação Unidos do Mato Grosso de Buarcos - Figueira da Foz, com vista à preparação dos trabalhos para o Carnaval de 2012.

A solo e também com o Grupo Samba LêLê, o seu grande objectivo sempre foi e continua a ser, a divulgação e preservação do verdadeiro samba de raiz em Portugal.